LENDAS | HISTÓRIAS
Nossa Senhora da Lomba
Rezam as lendas que uma figura de Nossa Senhora terá aparecido numa das muitas dunas de areia então existentes no sítio dos Cruzinhos, no lugar de Verdemilho. Trata-se de uma pequena escultura de castanho e de outras madeiras que a historiador de arte A. Nogueira Gonçalves datou do séc. xv
Atendendo ao local onde apareceu, a povo ter-Ihe-á dado a nome de Nossa Senhora da Lomba e mandou erigir uma pequena ermida para albergar a escultura. Ao longo dos séculos, a ermida foi alvo de grandes reformas, transformando-se na actual capela de S. João. Apesar de não se ter a certeza absoluta sobre as datas concretas quer do aparecimento da imagem, quer da edificação da ermida, na pedra do arco-cruzeiro esta cinzelada a data de 1636, e o tamanho desse área indica uma construção maior do que uma pequena ermida.
Por outro lado, a mudança do nome de Nossa Senhora da Lomba para S. João esta também revestida de algum mistério, sendo apontadas duas teorias para esse facto. A primeira refere uma visita pastoral feita por delegação do primeiro Bispo de Aveiro, em 1796, onde se denomina a capela de S. João. A segunda teoria indica que a mudança terá ocorrido aquando da dissolução da Irmandade de Nossa Senhora da Lomba, por ordem do Governo Civil de Aveiro, em 8 de Maio de 1867.
O mais estranho e que em 1912, por virtude da aplicação da Lei de Separação da Igreja do Estado, na relação de bens da Igreja, a Capela surge com 0 nome de Capela de Nossa Senhora da Lomba, situada na Rua de Nossa Senhora da Lomba. Actualmente, a Capela de S. João, situa-se na Rua de S. João, exactamente a mesma localização.
A Fuga do Desembargador Queirós
Este mito gira em torno da fuga de Joaquim José de Queirós, Desembargador, avo de Eça de Queirós, após o fracasso da Revolta Liberal de 16 de Maio de 1828, chefiada pelo próprio. De acordo com os testemunhos da época, os companheiros revoltosos de Joaquim José de Queirós – chamados de Mártires da Liberdade – foram presos e executados na cidade do porto e as suas cabeças foram empaladas e exibidas públicamente em Aveiro, como forma de assustar o povo. O Desembargador logrou escapar aos seus perseguidores e é aqui que a história e a lenda se confundem.
Entre o povo de Verdemilho á voz corrente que se terá escondido no Crasto, junto da fonte da Arregaça, a cerca de um quilómetro do seu palácio. Uma outra versão afirma que se terá escondido em casa do Tio Manuel Cautela, seu vizinho, cuja casa distava escassos metros do seu palácio.
O tio Cautela, que era marnoto, levava-o todos os dias para a marinha, escondido dentro do carro de mão em que transportava a vela do barco e demais apetrechos do seu trabalho. Até que um dia, simulando uma ida ao junco, o levou no seu barco até Ovar, onde o desembargador terá fugido para o Brasil.
Qual das duas versões estará correcta, ninguém sabe. O certo é que o desembargador Joaquim José de Queirós conseguiu, de facto, fugir para o Brasil, de onde voltaria após a vitória do liberalismo.


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