POLIS - RIA
Breves considerações históricas sobre dois lugares da Freguesia de Aradas onde poderá haver intervenção no âmbito do projecto Polis - Ria.

■ ESTEIRO DE S. PEDRO
Como o modesto Memorial existente no local assinala, pode de algum modo considerar-se a Malhada de S. Pedro como chão sagrado para a Freguesia de Aradas. Foi lá que, até cerca de 1866, e por mais de nove séculos, existiu a Igreja de S. Pedro e respectivo cemitério paroquial. Por ali passaram figuras que foram de grande relevância nacional. Lembremos algumas:

SEC. XV – Em 1457 foi baptizado nessa Igreja Frei Pedro Dias, o “Santo de Aradas”, notável frade dominicano que o povo proclamou santo ainda em vida.
SEC. XVI – Na primeira metade deste século a Igreja foi assiduamente frequentada por Catarina de Ataíde, Senhora de Verdemilho, falecida em 28 de Setembro de 1551 e sepultada na Sé de Aveiro, grande musa inspiradora da poesia lírica de Luís de Camões.
SEC. XVII – Manuel Mendes de Barbuda e Vasconcelos, notável poeta épico natural de Verdemilho, foi lá baptizado em 1607 e também lá sepultado em 1670.
SEC. XVIII – Em 1706 foi baptizado na Igreja de S. Pedro D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa, nascido em Verdemilho. Deixou obra notável nos planos religioso, social e político no Brasil, onde foi Bispo do Grão-Pará entre 1749 e 1761, tendo sido entretanto também Governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão entre 1752 e 1756. Posteriormente, foi nomeado Bispo de Leiria, onde faleceu em 1780, tendo entretanto realizado de novo obra de vulto, tanto no plano espiritual como temporal: foi ele que mandou erigir a Torre do Relógio e a escadaria monumental da ermida de Nossa Senhora da Encarnação, assim como mandou reconstruir a Catedral, que tinha sido destruída pelo grande Terramoto do 1º de Novembro de 1755. Na História da Diocese de Leiria só houve três bispos que mereceram a honra de ter o seu túmulo na Catedral. D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa é um deles.
SEC. XIX – O Conselheiro Joaquim José de Queirós, vulto liberal a quem Aveiro deve a honra de ser considerada “Berço da Liberdade”, foi ali sepultado em 1850. Também o seu neto, o escritor Eça de Queirós, frequentou assiduamente a Igreja de S. Pedro, acompanhando a avó Joaquina, até 1855.

■ MALHADA DO EIRÔ
A Malhada do Eirô foi, durante séculos, importante ponto de desembarque de passageiros, vindos do Norte, que pretendessem dirigir-se por estrada para Coimbra. Essa é a razão de ser da existência do marco quilométrico que assinala as distâncias para Coimbra e Palhaça.
O Cais, construído em placas de cimento, foi inaugurado em 4 de Novembro de 1934, no decurso do primeiro mandato de José dos Santos Capela como presidente da Junta de Freguesia.
Embora porventura não tanto como por volta de 1890, quando a Malhada era ponto de partida e chegada de cerca de 50 barcos da Freguesia de Aradas e mais alguns do Concelho de Ílhavo que andavam diariamente na Ria, na faina do moliço, na altura da inauguração do novo Cais o movimento de mercadorias era ainda intenso. Descarregava-se moliço, junco, balastros, paralelepípedos de granito e madeira para serrar. Carregava-se madeira em obra, telha, tijolos, adobes e produtos agrícolas locais. Na altura do pico da Baixa-mar a água na Malhada tinha sempre o mínimo de um metro de profundidade, pelo que os barcos podiam operar sempre.
Mais tarde, para os garotos das décadas de 40 a 70 do Século XX, o Eirô era simultaneamente a praia onde se nadava e o estádio onde se jogava a bola. A partir daí, tem estado ao abandono.


Galeria Fotográfica
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